DIREITO À INDIGNAÇÃO

Peço desculpa aos visitantes deste blogue de terminar o ano com uma reflexão amarga, dolorosa, quase à beira da revolta: Com imprecações, raios coriscos e tudo...
Vou tentar ser moderado, não para ceder às hipocrisias que andam por aí a recomendar moderação, para poderem enganar impunemente todos os incautos, que são também muitos, uns por preguiça, outros por real incapacidade de raciocínio; não, não quero entrar na lista dos ingénuos que se estão a armar de moderação, enquanto os outros – os filhos das trevas, que são sempre mais espertos do que os filhos da luz (cf. Lc. 16,8) – avançam no seu cambate, conquistando cada vez mais terreno.
Vou procurar ser moderado porque me respeito.
Quero apenas manifestar a minha indignação: porque isso sim, é um direito que todos temos, e todos, pelo menos até certo ponto, nos reconhecem.
E a minha indignação, neste momento, ainda que isso pareça presunção da minha parte, quer ser a indignação de todos os portugueses que não se dão conta da mentira em que os envolveram os que, há pouco mais de um ano lhes bateram á porta a pedir um voto, em nome da verdade e da transparência.
Madre Teresa de Calcutá, quando veio à Europa, para receber o Prémio Nobel da Paz, interrogada pelos jornalistas sobre o que considerava os grandes atentados contra a paz no mundo contemporâneo, respondeu sem hesitar: a desobediência dentro da Igreja e a legislação abortista da maioria dos países ocidentais.
Vem aí um referendo que nos envergonha, até pela mentira que o envolve.
Apetece-me gritar:
É necessário esclarecer e esclarecer-se.
A população portuguesa está a ser vítima de uma burla inqualificável: pergunta-se-lhe algo de forma que entenda outra coisa, e, o que é mais grave, ob o pretexto de que se trata de uma questão de consciência, fechou-se aos defensores do NÃO o livre acesso aos meios de comunicação social, enquanto os defensores do SIM estão permanentemente em campo.