PERGUNTAR NÃO OFENDE

Já que os deputados que dizem interessar-se pela dignidade da pessoa humana não querem fazer leis que defendam a vida e promovam essa dignidade, peço licença para fazer a todos, a esses e aos outros, algumas perguntas pertinentes.
Bem, pertinentes creio eu, sobretudo agora, que acabam de fazer-nos uma pergunta para respondermos daqui a meses… depois de eles se mobilizarem a dizer-nos como devemos responder, “em consciência”, dizem.
Não tenho muita esperança de que me esclareçam, mas são dúvidas reais, que a manterem-se impedirão o voto que nos pedem no referendo sobre o aborto, consciente e em consciência.
Aí vão elas:
Fala-se de “interrupção voluntária da gravidez”:
Primeira pergunta, que pode parecer absurda, mas não é.
Todos sabemos que em bom português, só pode ser interrompido um processo que tem hipóteses de ser retomado e continuado; caso contrário, não se fala de interrupção, mas de liquidação do processo.
Será que a gravidez é um processo passível de interrupção?
A pergunta parece absurda, porque tratando-se de um processo vital, uma vez iniciado, ou se deixa seguir o dinamismo que lhe é próprio, ou pura e simplesmente se destrói. Ou seja: o ser gerado, ou o deixamos viver, ou o matamos; não há outra hipótese. Se não queremos empregar a palavra morte, que seria a mais exacta, nem aborto, que é, já de si um eufemismo, mas que se aplica a todos os seres vivos mortos antes de nascer, invente-se outra, mas que não engane os cidadãos.
Segunda pergunta:
Será que todos os casos de aborto provocado provêm de uma decisão verdadeiramente livre da mulher? Qual mulher? A mãe ou outra?
Todos sabemos que por cada aborto que se realiza, clandestinamente ou não, as cumplicidades são tantas, que qualquer de nós teria grande dificuldade em tomar uma decisão verdadeiramente livre. Será que os abortistas garantiram já, para regulamentação da lei os serviços necessários para ajudar a mulher grávida, inclusivamente a desistir do aborto, caso venha a verificar que essa é a melhor decisão?
E não nos esqueçamos de que não se pode chamar livre a decisão que se toma ignorando todas consequências dessa mesma decisão.
Perguntam-me se estou de acordo com o aborto, qualquer que seja a sua motivação, desde que pedido pela mulher grávida, dentro das dez primeiras semanas:
Pergunto, com toda a legitimidade, porque querem fazer cair sobre mim a responsabilidade moral da decisão:
Porquê dez semanas e não vinte, ou mais? Qual é o critério da opção?
Se eu considero o aborto a destruição de uma vida que, iniciando-se no ventre de uma mulher, não pode ser senão humana, quais são os meios postos à minha disposição para que o meu dinheiro de contribuinte que paga honestamente os seus impostos não seja gasto nesse acto que a minha consciência rejeita?
Só mais uma pergunta da minha consciência atormentada:
Está provado que em todos em países que, com referendo ou sem ele, se liberalizou o aborto, o chamado aborto clandestino, com todas as consequências que, segundo os abortistas portugueses, se pretendem eliminar, não só não diminuiu, como subiu em flecha. E só quem quer ser cego é que não vê porquê.
Como é que em Portugal isso se vai evitar?
Querem que eu vote em consciência? Por favor, ajudem-me a esclarecê-la!